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História


A povoação de Azurara só se constituiu como paróquia em meados do século XV, quando em 1457 se autonomizou da paróquia de São Salvador de Pindelo. Nos anos seguintes, devido ao incremento do comércio marítimo na região costeira do Minho, as povoações de Vila do Conde e Azurara conheceram um crescimento económico, urbano e social sem precedentes.

À semelhança do que aconteceu por todo o reino ao longo do século XVI, estas duas povoações viram crescer no seu meio urbano as Misericórdias, irmandades de carácter assistencial, com estatutos a nível nacional, que habitualmente se afirmavam como o mais poderoso grupo urbano em todas as cidades e vilas em que eram fundadas.

A Misericórdia de Azurara foi fundada em meados do século XVI, e autorizada por carta régia de D. Sebastião (20/04/1566), escolhendo para sua sede a capela pertencente à Confraria de Nosso Senhor dos Passos, que devido às suas reduzidas dimensões foi então ampliada pela irmandade, sendo a traça também transformada.

Cerca de 1604 o piloto Francisco Gonçalves Vila Chã e sua mulher mandaram construir, a expensas próprias, uma nova capela-mor, onde mais tarde seriam sepultados em campa rasa. Para além desta obra, legaram à irmandade a casa para o hospital, dotando-o com rendas para permitir o funcionamento do mesmo.

De dimensões reduzidas, o templo da Misericórdia de Azurara possui planimetria longitudinal, composta pela justaposição dos volumes da nave e da capela-mor, de secção retangular. A igreja apresenta uma fachada eclética, que combina elementos de diferentes campanhas de obras. Mantém alguns elementos seiscentistas de modelo chão, como o portal principal e a estrutura vertical da fachada, que no século XX foi revestida a azulejos. O conjunto é rematado em empena e lateralmente foi edificada a torre sineira, com porta, que interiormente se prolonga pela nave.

O interior, embora muito alterado por campanhas decorativas realizadas nos séculos XVIII e XIX, denuncia o modelo quinhentista do tempo. De nave única, o espaço é coberto por abóbada de nervuras, atualmente pintada. Possui cinco altares, e junto à capela-mor foram edificados dois púlpitos em talha dourada oitocentista. Na mesma campanha decorativa foram ainda executados a sanefa do arco que abre para a capela-mor, os altares colaterais e o retábulo-mor.

Catarina Oliveira (IPPAR/2005)